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Parto Ativo – Entrevista a Janet Balaskas

Parto Ativo – Entrevista a Janet Balaskas

 

 

Janel Balaskas, autora do conceito Parto Ativo e do livro pelo mesmo nome, vem a Portugal para um ciclo de eventos e workshops. A Pulguinhas aproveitou para falar com a autora para saber mais sobre esta ideia de maternidade e as implicações para o momento do nascimento.

 

 

 

 

 O que é o parto ativo e como desenvolveu este conceito?

 

Num primeiro nível o parto ativo significa que a mãe tem liberdade de movimentos durante o trabalho de parto num ambiente, semi-iluminado e tranquilo, onde ela não é incomodada. A Mãe vai escolher instintivamente as posições em que se sente mais confortável, como de joelhos, e pé, a andar, sentada ou de cócoras. Ela também pode escolher qualquer uma destas posições no momento do nascimento do bebé. Em posições verticais ela consegue gerir a dor mais facilmente e ajudar de forma eficaz à descida e rotação do bebé na pelve, graças à ajuda da gravidade.

Ganhei consciência de que o corpo da mulher está preparado para o parto numa posição vertical ao estudar a anatomia da pélvis feminina e os processos fisiológicos do nascimento na década de 1970, em que eu própria estive grávida. Compreendi que havia algo de errado com o tratamento médico no processo de nascimento natural e com o hábito de deitar a mulher de costas, que estava a tornar o parto mais doloroso e mais difícil e a levar à necessidade de cada vez mais intervenções.

 

Como queria evitar isto, decidi realizar as minhas próprias investigações e ao fazê-lo descobri todos os benefícios do parto ativo assim como uma quantidade considerável de provas, de conhecimentos que já estavam disponíveis, para compreender as suas vantagens. Também investiguei a evolução dos nascimentos e descobri que, por todo o mundo e há milhares de anos, as mulheres entraram em trabalho de parto e deram à luz, estando em pé. E uma coisa levou à outra e o “Parto Ativo” nasceu. Não é um método novo – é simplesmente o descrever da sabedoria tradicional do nascimento num mundo moderno. O parto ativo é culturalmente universal e é o plano da natureza para o nascimento.

 

 

Como é que o conceito evoluiu desde que primeiramente o apresentou nos anos de 1980? 

 

O parto ativo tem-se tornado numa opção altamente praticada por mães com gravidez de baixo risco por todo o Reino Unido e o que foi em tempos um “conceito” é agora uma prática comum. No Reino Unido todos os hospitais contam hoje com maternidades onde há quartos dedicados ao parto ativo ou casas de parto/ unidades lideradas por parteiras para as mães que tenham uma gravidez normal sem intercorrências e que desejam dar à luz de forma natural.

 

Nestas salas de parto é possível reduzir a intensidade das luzes, há tapetes de yoga para colocar no chão, um sofá /puff, uma bola de pilates, uma piscina de partos – ajudas simples que deixam a mãe mais confortável e apoiada de forma a conseguir relaxar numa posição vertical. Mais importante ainda, há uma parteira (em Portugal com o título de EEESMO- Enfermeiro/a Especialista em Enfermagem de Saúde Materna e Obstétrica) que compreende as necessidades da mulher que está em trabalho de parto e que acredita na capacidade da mãe para fazer nascer o bebé. Isto significa que ela não vai automaticamente recorrer a medicação quando o trabalho de parto se revela desafiante, mas que ela vai encorajar a mãe a recorrer à sua resiliência, força e coragem para superar. A Parteira mantém o bem-estar da mãe e do bebé como prioridade e chamará a médica obstetra no caso de haver alguma complicação ou necessidade, mas sem sinais de desvio à normalidade, a parteira/o ou EEESMO é o profissional encarregue destes partos de baixo risco. Acredito que o parto ativo transformou o modelo de cuidados praticados nos hospitais e contribuiu para o empoderamento das mulheres. Parteiras e o parto ativo complementam-se.

 

 

Quais são os principais benefícios do parto ativo tanto para mães quando para as Pulguinhas recém-nascidas?

 

O parto ativo aumenta em grande medida a possibilidade de um parto natural. Isto permite dar poder à mulher, oferecendo-lhe uma experiência positiva neste começo de vida enquanto mãe. As hormonas que são produzidas durante estes partos fomentam a ligação e o amor e são a base do instinto natural de proteção que é a base da relação entre a mãe e o seu bebé. Uma experiência muito distinta do trauma que algumas mulheres vivem quando sujeitas e intervenções médicas que são usadas já como rotina e que são desnecessárias.

 

Há muitos benefícios práticos:

- mais espaço na pélvis

- melhor fluxo do sangue ao útero, placenta e bebé

- redução da dor

- contrações mais eficazes do útero

- descida mais facilitada pela pélvis para o bebé

- melhoria do sistema imunitário do bebé

- benefícios de saúde a longo-prazo

 

 

Que técnicas e conceitos se podem aprender no workshop de parto ativo?

 

workshop explora em detalhe todo o processo fisiológico que envolve o trabalho de parto e parto. Também tem um lado muito prático com demonstrações e exemplos práticos sobre o parto vertical, as diferentes posições, a utilização de uma piscina de partos, o nascimento na água, o toque e a massagem e sobre como, de forma prática, dar o poder à mãe e conseguir apoia-la neste momento.

 

 

Como é que os pais e os profissionais podem saber mais sobre o parto ativo?

 

Estes workshops são criados para treinar os profissionais, para que possam ajudar as mães na sala de partos de forma a que tenham um parto ativo, e também para que possam depois informar e transmitir conhecimento aos casais, de forma a que estes consigam transformar a sua experiência de parto. O workshop oferece as ferramentas que influenciaram esta grande mudança nos serviços de maternidade no reino Unido e também noutros países. Tanto pais quanto profissionais podem aprender sobre esta abordagem com a leitura do meu livro “Parto Ativo”.

 

 

Eventos:

Workshop de Parto Ativo com Janet Balaskas 

Dias 13 e 14 Outubro 2018, das 09h às 18h

No Centro Upaya, Lisboa (www.upaya.pt)

€335 p/ inscrição individual

€495 p/ casal

 

 

Como ensinar Parto Ativo - Formação profissional ©, com certificação internacional com Janet Balaskas e Equipe

 

Dias 19, 20 e 21 Outubro 2018, das 09h ás 18h

No Centro Upaya, Lisboa (www.upaya.pt)

€1200

A inscrição é sujeita à aprovação prévia e é necessário ter concluído com aprovação o Workshop Parto Ativo em

2017 ou 2018.

 

Público alvo: Profissionais ligados à gravidez, parto e pós-parto (doulas, educadoras perinatais, parteiras/os, obstetras, enfermeiras/os, professores de yoga, de pilates, ou de educação física, fisioterapeutas, osteopatas, massoterapeutas, psicólogos, e demais profissionais.

 

 

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