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Mimo a mais? O que 40 anos de investigação dizem sobre o colo

Mimo a mais? O que 40 anos de investigação dizem sobre o colo

Mimo a mais? O que 40 anos de investigação dizem sobre o colo

Por Rita, fundadora da Pulguinhas · psicóloga e consultora certificada de babywearing

Uma Mãe Pulguinhas estava na fila da segurança do aeroporto, com a bebé no sling e o carrinho vazio ao lado. A senhora que organizava a fila chamou-a e explicou-lhe que o lugar dos bebés é no carrinho e não nesses "panos", porque depois não são adultos funcionais e independentes.

Uma frase dita com toda a certeza. E, como vais ver neste artigo, 40 anos de investigação dizem exatamente o contrário.

Na minha aldeia chamam-me a mãe do colo, e em 20 anos de Pulguinhas já ouvi todas as versões deste conselho: "habituas mal", "depois não o largas", "assim nunca vai ser independente". Por isso juntei aqui as descobertas científicas que respondem a cada uma, publicadas em revistas como a Pediatrics, a Current Biology e a Child Development.

Se chegaste aqui depois de comentares FONTES no Instagram, bem-vinda. Para cada descoberta explico o que diz, porque importa no teu dia a dia e o que o estudo mostrou de facto, com os números certos. Conto-te também o que a ciência ainda não confirmou, porque um artigo à prova de sogra não pode prometer mais do que os estudos mostram. E no fim conto-te o que aconteceu à bebé do aeroporto, dentro do avião.

As referências completas estão no fim do artigo, para as mostrares a quem precisar.

1. Mais colo, menos choro

O que diz: bebés que recebem mais colo ao longo do dia, e não só quando choram, choram menos nas semanas em que o choro costuma ser mais intenso.

Porque importa, na prática. Muitas mães poupam o colo "para não habituar" e guardam-no para quando o choro já começou. Este estudo testou o contrário: dar colo antes, durante o dia, com o bebé tranquilo. E o pico de choro das 6 semanas, que quase todas conhecemos, ficou muito mais baixo.

O que a ciência confirma: num ensaio aleatorizado com 99 mães e bebés (Hunziker & Barr, 1986), as mães de um dos grupos deram pelo menos 3 horas de colo extra por dia, e chegaram a uma média de 4,4 horas, contra 2,7 no outro grupo. Às 6 semanas, os bebés com mais colo choraram 43% menos, e 51% menos ao fim da tarde e à noite. Às 12 semanas a diferença era de 23%. O tempo de sono e de mama não mudou.

Uma nota de honestidade: dois ensaios posteriores (Walker & Menahem, 1994; St James-Roberts et al., 1995) não encontraram esta diferença. Os investigadores que vieram a seguir encontraram uma explicação provável, que é a descoberta seguinte.

2. Colo a andar desliga o choro

O que diz: quando a mãe caminha com o bebé ao colo, o bebé para de chorar e o coração dele abranda. Com a mãe sentada, não acontece da mesma forma.

Porque importa, na prática. Os estudos antigos mediam o colo em geral, com base em diários preenchidos pelos pais, e não separavam o colo parado do colo em movimento. Esta equipa mediu o batimento cardíaco do bebé segundo a segundo e percebeu que o movimento de quem caminha é uma parte essencial do efeito. É por isso que o sling resulta tão bem: deixa-te andar, arrumar a casa ou ir às compras com o bebé ao colo.

O que a ciência confirma: em 12 bebés entre 1 e 6 meses, ser carregado por uma mãe a andar fez parar logo o choro e os movimentos agitados, e o batimento cardíaco desceu rapidamente, quando comparado com o colo de uma mãe sentada (Esposito et al., 2013). Os autores chamam-lhe "resposta de transporte" e encontraram a mesma reação em ratinhos: é uma resposta partilhada pelos mamíferos, que facilita o transporte das crias pela mãe.

3. Cinco minutos de colo a andar

O que diz: cinco minutos de colo a andar, com passo regular, chegam para parar o choro, e muitos bebés adormecem. Para não acordarem quando os pousamos, compensa esperar uns minutos antes de os deitar.

Porque importa, na prática. A mesma equipa voltou ao tema anos depois e fez da descoberta uma receita que qualquer mãe pode usar esta noite: anda 5 minutos com o bebé ao colo, sem paragens bruscas, e quando adormecer senta-te com ele mais 5 a 8 minutos antes de o pousar. No sling, esta receita fica mais fácil, porque tens as mãos livres e as costas apoiadas.

O que a ciência confirma: Ohmura et al. (2022) registaram o batimento cardíaco de bebés a chorar em várias situações. Cinco minutos de colo a andar pararam o choro de todos os bebés estudados e baixaram-lhes o batimento cardíaco, e cerca de metade adormeceu. Segurar o bebé ao colo sentada, pelo contrário, fez subir o batimento. Os bebés que eram pousados nos primeiros minutos de sono tendiam a acordar, e a separação do colo era um dos momentos em que o coração deles mais reagia.

4. No sling, respira tão bem como no carrinho

O que diz: com o bebé bem posicionado, estar no sling não prejudica a respiração nem a oxigenação.

Porque importa, na prática. É das dúvidas que mais me chegam: "Ele respira bem aí dentro?" A resposta dos estudos é sim, com uma condição que não é negociável: o Colo Seguro. Cara visível, nariz e boca livres, queixo afastado do peito, costas apoiadas e o bebé alto e justo, ao alcance de um beijo. Os raros acidentes descritos com porta-bebés aconteceram sobretudo em bebés com menos de 3 meses, quando o queixo ficou encostado ao peito ou a cara tapada pelo tecido (Bergounioux et al., 2015). O risco está na posição, não no colo, e é exatamente para acertar a posição que existe a sessão Sling Support. Conhece as 5 regras de segurança do Método PULGA, que ensino em cada sessão de Sling Support.

O que a ciência confirma: Stening et al. (2002) monitorizaram 24 bebés prematuros e 12 de termo durante 20 minutos no sling na vertical, 20 no sling na horizontal e 20 no carrinho. A saturação de oxigénio ficou sempre a menos de 2% da medida no carrinho: nos prematuros, por exemplo, 96,1% no sling e 97,1% no carrinho. Os autores concluíram que o sling não teve impacto clínico na respiração nem no batimento cardíaco. As poucas quedas de oxigénio registadas aconteceram todas em prematuros, e por isso os autores aconselham cuidado redobrado até à data prevista do parto.

5. Amamentação durante mais tempo

O que diz: as mães que usaram porta-bebé no dia a dia mantiveram a amamentação durante mais tempo.

Porque importa, na prática. Com o bebé encostado a ti, reparas mais cedo nos sinais de fome, antes de o choro começar, e ele tem a mama sempre por perto. Muitas Mães Pulguinhas contam-me que aprenderam a amamentar no sling, e que foi o que as deixou sair de casa nos primeiros meses.

O que a ciência confirma: num ensaio aleatorizado com 100 mães (Little et al., 2021), metade recebeu um porta-bebé ergonómico e usou-o em média cerca de 1,7 horas por dia. Aos 6 meses, 68% destas mães ainda amamentavam, contra 40% no outro grupo. Às 6 semanas e aos 3 meses não havia diferença: o efeito apareceu com o tempo.

6. O pai fica mais atento ao bebé

O que diz: três semanas a usar porta-bebé mudaram a forma como o cérebro dos pais reagia ao choro do bebé.

Porque importa, na prática. Nos primeiros meses, o bebé depende tanto da mãe que é fácil o pai sentir-se de fora. O sling dá-lhe um lugar próprio: o colo dele, o cheiro dele, os passeios dele. E dá à mãe uns minutos para respirar.

O que a ciência confirma: Riem et al. (2021) dividiram ao acaso 60 pais de primeira viagem, com bebés de cerca de 11 semanas: uns usaram porta-bebé durante 3 semanas, outros uma cadeirinha. Nos pais do porta-bebé, a amígdala, uma área do cérebro ligada à atenção aos sinais do bebé, passou a reagir mais ao choro.

Para ser rigorosa: um segundo estudo da mesma equipa (Verhees et al., 2023), também com 3 semanas de porta-bebé, não encontrou diferenças na sensibilidade dos pais nem nas hormonas. Três semanas podem ser pouco tempo, e os efeitos a longo prazo ainda estão por estudar.

7. Mais vinculação segura

O que diz: bebés levados ao colo no porta-bebé desenvolveram mais vezes uma vinculação segura com a mãe.

Porque importa, na prática. A vinculação segura é a certeza, construída dia a dia, de que alguém responde quando o bebé precisa. Como psicóloga, digo-te que é uma das bases mais sólidas que lhe podes dar. E o colo encostado ao teu peito facilita esse diálogo: vês cada careta, ouves cada som e respondes antes de o choro começar.

O que a ciência confirma: num ensaio aleatorizado com mães de baixos rendimentos, um grupo recebeu um porta-bebé de pano e o outro uma cadeirinha (Anisfeld et al., 1990). Aos 13 meses, 83% dos bebés do porta-bebé tinham vinculação segura, contra 38% no outro grupo. Aos 3 meses e meio, as mães do porta-bebé já respondiam mais aos sons dos bebés. Um estudo mais recente com 33 mães adolescentes chegou a uma conclusão semelhante: 1 hora de porta-bebé por dia, durante 3 meses, associou-se a mais vinculação segura e menos vinculação desorganizada aos 7 meses (Rankin Williams & Turner, 2020).

Resposta à senhora do aeroporto

O que diz: crianças com vinculação segura são menos dependentes dos adultos, não mais.

Porque importa, na prática. O medo de "criar dependência" parte da ideia de que a autonomia se ensina afastando o bebé. A investigação sobre vinculação diz o contrário: um bebé que sabe que o colo está lá quando precisa sente-se seguro para explorar, porque sabe para onde voltar. O bebé que sabe que o colo está lá é o que se atreve a sair dele.

O que a ciência confirma: no estudo longitudinal de Minnesota, Sroufe, Fox & Pancake (1983) avaliaram a vinculação de bebés aos 12 e aos 18 meses e voltaram a observá-los no pré-escolar, entre os 4 e os 5 anos. As crianças com vinculação segura eram significativamente menos dependentes dos educadores. Das 13 crianças mais dependentes, 12 tinham tido uma vinculação insegura.

Uma nota importante: nenhum estudo acompanhou bebés levados ao colo até à idade adulta. O que a investigação mostra é uma sequência de dois passos: o colo favorece a vinculação segura, e a vinculação segura está associada a mais autonomia. É por isso que escrevo "favorece" e não "garante".

O que a ciência ainda não confirma

Prometi-te um artigo à prova de sogra, e para isso tenho de te dizer também o que deixei de fora.

O colo não cura cólicas. Num ensaio com 66 bebés com cólicas, as mães aumentaram o colo para 6 horas por dia, e às 6 semanas os bebés choraram apenas 3 minutos menos por dia (Barr et al., 1991). Os investigadores concluíram que o choro das cólicas funciona de maneira diferente do choro comum. O colo ajuda-te a acompanhar esses momentos, mas se o choro te preocupa, o pediatra é sempre o primeiro passo.

E um bebé ao colo continua a chorar, a acordar e a precisar de ti, porque é um bebé. O colo não é uma solução mágica: é a resposta mais antiga que conhecemos para aquilo que um bebé precisa.

E a bebé do aeroporto?

Seguiu viagem até à Tailândia com a mãe, a Lorrane. Dois voos, um deles de 12 horas, com o sling.

Quando voltou, a Lorrane escreveu-me: "Correu tudo lindamente. O sling foi um salva-vidas. Fiz tudo com ele." E enviou-me uma fotografia a amamentar a bebé no sling, dentro do avião.

Doze horas de voo, uma bebé tranquila e uma mãe com as mãos livres. É a descoberta 5 a acontecer a 10 mil metros de altura.

Conclusão

Da próxima vez que te disserem que dás colo a mais, já sabes o que lhes podes responder: com mais colo, os bebés choram menos, param de chorar mais depressa, respiram bem no sling, mamam durante mais tempo e crescem com uma vinculação mais segura, que os deixa mais livres para um dia se afastarem. E os pais que também dão colo ficam mais atentos aos seus bebés.

Não és tu que habituas mal o bebé. É o teu bebé que foi feito para o colo.

Se tens um sling na gaveta, ou ainda estás a escolher, lembra-te que a sessão Sling Support está incluída em qualquer sling Pulguinhas: 45 a 60 minutos comigo, presencial ou online, e um mês de acompanhamento por WhatsApp para acertares o ajuste, a amarração, a posição e o Colo Seguro. É o meu apoio para que O Melhor Colo do Mundo seja também o mais confortável para ti.

Perguntas frequentes

Dar muito colo habitua mal o bebé?

Não. Os estudos mostram que mais colo está associado a menos choro e a mais vinculação segura, e que crianças com vinculação segura são menos dependentes dos adultos, não mais.

Quantas horas de colo são precisas para notar diferença?

Não há uma dose mágica. Nos estudos, as mães usaram entre 1 hora de porta-bebé por dia e cerca de 3 horas de colo extra. Todo o colo conta, e o sling ajuda-te a dar mais sem cansares os braços.

O bebé respira bem dentro do sling?

Sim, desde que esteja bem posicionado: cara visível, nariz e boca livres, queixo afastado do peito e o bebé alto e justo. Nos bebés prematuros, fala primeiro com a equipa que os acompanha.

O colo resolve as cólicas?

Não. Ajuda a acompanhar o bebé nesses momentos, mas os estudos não mostram que reduza o choro das cólicas. Se o choro te preocupa, fala com o pediatra.

O pai também pode usar o sling?

Claro que sim. Os slings Pulguinhas ajustam-se a diferentes tamanhos, e o colo do pai tem benefícios próprios. A sessão Sling Support também é para ele.

O meu bebé só dorme ao colo. Estou a criar dependência?

Estás a responder a uma necessidade real. Muitos bebés dormem melhor ao colo nos primeiros meses. Com a técnica dos 5 minutos a andar e dos minutos sentada antes de o pousar, a passagem para a cama costuma ficar mais fácil.

Referências bibliográficas

Anisfeld, E., Casper, V., Nozyce, M., & Cunningham, N. (1990). Does infant carrying promote attachment? An experimental study of the effects of increased physical contact on the development of attachment. Child Development. https://doi.org/10.1111/j.1467-8624.1990.tb02888.x

Barr, R. G., et al. (1991). Carrying as colic "therapy": A randomized controlled trial. Pediatrics.

Bergounioux, J., et al. (2015). Sudden deaths in adult-worn baby carriers: 19 cases. European Journal of Pediatrics. https://doi.org/10.1007/s00431-015-2593-6

Esposito, G., et al. (2013). Infant calming responses during maternal carrying in humans and mice. Current Biology, 23(9), 739–745. https://doi.org/10.1016/j.cub.2013.03.041

Hunziker, U. A., & Barr, R. G. (1986). Increased carrying reduces infant crying: A randomized controlled trial. Pediatrics. https://doi.org/10.1542/peds.77.5.641

Little, E. E., Cioffi, C. C., Bain, L., Legare, C. H., & Hahn-Holbrook, J. (2021). An infant carrier intervention and breastfeeding duration: A randomized controlled trial. Pediatrics. https://doi.org/10.1542/peds.2020-049717

Ohmura, N., et al. (2022). A method to soothe and promote sleep in crying infants utilizing the transport response. Current Biology, 32(20), 4521–4529.e4. https://doi.org/10.1016/j.cub.2022.08.041

Rankin Williams, L., & Turner, P. R. (2020). Infant carrying as a tool to promote secure attachments in young mothers: Comparing intervention and control infants during the still-face paradigm. Infant Behavior and Development. https://doi.org/10.1016/j.infbeh.2019.101413

Riem, M. M. E., et al. (2021). A soft baby carrier intervention enhances amygdala responses to infant crying in fathers: A randomized controlled trial. Psychoneuroendocrinology. https://doi.org/10.1016/j.psyneuen.2021.105380

Sroufe, L. A., Fox, N. E., & Pancake, V. R. (1983). Attachment and dependency in developmental perspective. Child Development, 54, 1615–1627.

St James-Roberts, I., et al. (1995). Supplementary carrying compared with advice to increase responsive parenting as interventions to prevent persistent infant crying. Pediatrics.

Stening, W., et al. (2002). Cardiorespiratory stability of premature and term infants carried in infant slings. Pediatrics.

Verhees, M. W. F. T., et al. (2023). Effects of a soft baby carrier on fathers' behavior and hormones: A randomized controlled trial. Journal of Child and Family Studies. https://doi.org/10.1007/s10826-023-02678-x

Walker, A. M., & Menahem, S. (1994). Intervention of supplementary carrying on normal baby crying patterns: A randomized study. Journal of Developmental and Behavioral Pediatrics.

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