Baby-Led Weaning? Método BLISS? Descubra as técnicas e as vantagem de deixar o bebé comer sozinho

Baby-Led Weaning? Método BLISS? Descubra as técnicas e as vantagem de deixar o bebé comer sozinho

 

 

O Baby-led Weaning pode ser traduzido à letra como o desmame decidido pelo bebé. A ideia é deixar que seja o bebé a descobrir os paladares e as texturas dos alimentos, manuseando e tendo liberdade para explorar ao seu próprio ritmo. Como se faz e por que motivos se deve fazer, são as perguntas base de uma conversa com a nutricionista Dr.ª Bárbara Nogueira.

 

O que é o o Baby-Led Weaning? Quando e como surgiu?

 

O termo surgiu em 2008 por Gill Rapley co-autor do livro Baby-Led Weaning: The Essential Guide to Introducing Solid Foods, no Reino Unido e, posteriormente, nos Estados Unidos da América (2010). Atualmente, é prática comum e popular no Reino Unido, Nova Zelândia e Canadá.

 

O conceito descreve uma abordagem alternativa à alimentação tradicional à colher, promovendo a introdução de “finger foods” adequadamente preparados (ou seja, alimentos cortados em pedaços menores). Quando se segue de forma exclusiva este método, a alimentação por colher com apoio de um adulto é eliminada por completo. Ao invés, a alimentação depende da criança desde o início do período de alimentação complementar. Desta forma, é dada a liberdade de explorar novos sabores e texturas sem a pressão para comer uma determinada quantidade ou alimento específico. Continua a ser alimentação complementar, e por isso continuará a amamentar ou suplementar e, vão avaliando a necessidade de aumentar a alimentação sólida e diminuição do leite materno.

 

A partir de que idades se pode começar e com que alimentos?

 

De forma geral, a partir dos 6 meses. No entanto, deverá ser analisando e decidido juntamente com o Nutricionista e Família.

Alguns sinais de prontidão incluem:

- O bebé senta-se bem sem apoio

- O bebé perdeu o reflexo da pressão da língua – empurra automaticamente os sólidos para fora da boca com a língua

- O bebé já desenvolveu habilidades motoras finas para se autoalimentar

- Desenvolvimento do “aperto de pinça” - o bebé pega a comida entre o polegar e o dedo indicador

- O bebé está disposto a mastigar, mesmo que com poucos ou nenhum dente

- O bebé mostra interesse em participar das refeições e até tenta pegar na comida do prato e colocá-la na boca

 

 

Os primeiros alimentos a ser introduzidos serão frutas frescas, vegetais cozidos, hidratos de carbono saudáveis ​​e gorduras. Para saber quais os alimentos que pode introduzir, deverá pensar nas seguintes características: textura macia, suave e fácil de mastigar e engolir.

 

Veja aqui a lista de alimentos seguros e os considerados mais alergénicos.

Neste momento, deverá ser oferecido 1 alimento de cada grupo alimentar já introduzido. Assim, será dada variedade para o bebé escolher, o qual naturalmente escolherá os alimentos que atendem às suas necessidades nutricionais.

 

As regras base do início da alimentação complementar mantém-se:

- A introdução de novos alimentos deve ser feita de forma lenta e gradual, com aumento progressivo da quantidade e consistência

- Começar e pelos alimentos de menor potencial alergénico

- Deverá respeitar um intervalo de 3-4 dias entre a introdução de 1 novo alimento e o seguinte

- Usar colher e copo para oferecer líquidos

 

 

 

Neste método, os alimentos habitualmente introduzidos em primeiro lugar são:

Abacate

Banana

Batata doces

Maçã cozida (macia)

Cenoura, feijão verde (sem pele), curgete e beterraba (cozidos)

Pêssegos e pêras muito maduras, ameixas e melão

Abóbora (cozida)

Gema de ovo

Carne vermelhas ou aves

Fígado

Arroz integral

 

 

Que benefícios traz o Baby-Led Weaning?

 

As vantagens apresentadas incluem:

- Ausência de stress e pressão durante a refeição

- Toda a família realizará a refeição em conjunto

- Estimulará a autonomia do bebé

- Melhora o controlo do apetite e saciedade do bebé

- Desenvolvimento de bons hábitos alimentares e melhor qualidade alimentar

- Menor risco de obesidade, como resultado de uma melhor autorregulação energética

- Efeitos favoráveis ​​nas práticas alimentares dos pais

- Habilidades motoras mais desenvolvidas

- Aprendem a manusear alimentos com segurança

- Aprendem a lidar com as diferentes texturas, sabores, tamanhos e formas dos alimentos

 

É sobretudo educacional.

Para além disso, como sabemos os pais/irmãos são o exemplo do bebé. Portanto, também a visualização da ingestão pela família estimulará o bebé a repetir o ato e, por conseguinte, também ele consumirá os alimentos que lhe são apresentados.

O bebé sentir-se-á incluído, e o horário das refeições será uma experiência divertida, e não uma batalha.

No caso de bebés de baixo peso, um estudo, sugeriu que a auto-seleção feita pelo bebé conduzirá ao peso saudável.

Os bebés devem dispor de assistência e apoio de adultos, sendo que a partir dos 11- 12 meses essa assistência será parcial, e aos 15-16 meses já conseguirá alimentar-se sozinha.

 

 

Há algum risco associado a esta prática?

 

Sim, e não devem ser menosprezados.

As preocupações começam por assegurar que a ingestão é suficiente para as necessidades e pelo risco de engasgo. No entanto, aos 6 meses, a maioria dos bebés já atingiu o desenvolvimento necessário para que se possa auto-alimentar, nomeadamente: sentar-se ereto sem apoio e agarrar os objetos e trazê-los à boca. Outro estudo sugere que, nesta fase, também já desenvolveram o reflexo do vómito que os protege contra a ingestão de alimentos muito grandes. No início, deverá sempre evitar oferecer alimentos que formem migalhas na boca, duros, pequenos e em forma de moeda.

 

Em algumas famílias, a sujidade pode gerar stress.

E outra preocupação poderá passar pela consequência de, tendencialmente ingerirem maior quantidade de frutas e vegetais e menor de cereais e carnes. Pois, poderá comprometer as necessidades de ferro, mineral essencial para o correto desenvolvimento do bebé.

 

 

Daí ter surgido o novo método BLISS - Baby-Led Introduction to SolidS

 

Existem pequenas diferenças entre os métodos, sendo a diferença básica recorrer o mínimo possível à colher. A base deste método é a confiança - confiar no bebé pois ele sabe o que está pronto ou é capaz de comer e ainda quando está satisfeito.

Assim, o método foi ligeiramente modificado para resolver preocupações com a deficiência de ferro, auto-regulação energética e risco de engasgar. Os princípios do método BLISS são:

 

- Oferecer alimentos que o bebé possa pegar e se alimentar (ou seja, seguir uma abordagem BLW)

- Oferecer um alimento com alto teor de ferro em cada refeição

- Oferecer um alimento de elevado teor energético em cada refeição

- Oferecer alimentos preparados de forma adequada para a idade de desenvolvimento do bebé, para reduzir o risco de engasgar e evitar a oferta de alimentos listados como alimentos de alto risco de asfixia

 

Assim,

- Melhora a auto-regulação energética aos 12 meses

- Melhora a ingestão e estado de ferro e zinco aos 12 meses

- Melhora a qualidade da alimentação aos 7 e 12 meses

- Tem impacto favorável no comportamento alimentar

- Resulta em habilidades motoras mais desenvolvidas aos 6, 8 e 12 meses

- Opção aceitável para os pais (desarrumação, aceitação geral, adesão) aos 7-9 meses

Atualmente, estão em curso estudos para averiguar os benefícios aos 24 meses.

Sabe-se que é um processo lento, no qual o cuidador passa a ser responsável por oferecer variedade, e o bebé é responsável por comer!

 

 

 

 

Dicas e Sugestões

 

A maior vantagem do método é que não precisará cozinhar algo específico para além do que fará para o resto da família!

Caso o seu bebé ainda não tenha desenvolvido o "aperto de pinça", que permite que pegue em alimentos muito pequenos, ofereça bocados maiores. Nessa fase, é normal que segure pela mão e as morda. O mesmo se aplica a alimentos como a carne, que são mais fáceis de serem manipulados por bebés mais novos quando apresentados em pedaços maiores.

Outras dicas passam por cortar os alimentos em formas de "batom", facilmente mantidos em punhos pequenos e/ou escolher alimentos como os brócolos, que têm uma pega natural fornecida pelo caule.

Por exemplo, se oferecer batata doce, abóbora ou cenoura, pode simplesmente descascar, cortar em forma de "batom" e cozinhar a vapor ou deixar ferver em água até ficarem macios.

Outra opção será assar, geralmente 30 a 45 minutos, dependendo do tamanho – pode embrulhar os pedaços em papel de alumínio e deixa-los cozinhar com o seu próprio vapor.

 

 

 

 

Algumas sugestões de receitas para que o seu bebé se possa auto-alimentar usando a mão inteira (palma da mão) – com junção de alimentos que promovem a absorção de ferro:

 

 

Omelete de ovo cortado em tiras, servida com molho de tomate

Prepare a omelete numa pequena frigideira, corte-a em tiras e apresente ao seu bebé com molho de tomate (tomates picados, cebolas picadas, alho e ervas – se já for possível introduzir estes alimentos).

 

Húmus de feijão branco, limão e azeite

Esmage ½ chávena de feijão branco cozido com 1 colher de chá de sumo de limão e outra de azeite. Adicione um pouco de água até atingir a consistência do húmus. Deixe que o seu bebé toque com os dedos e se suje, ou então dê uma colher e permita a auto-alimentação.

 

Espinafres salteados com sumo de limão

Refogue 1 chávena de espinafres com 1 colher de chá de azeite até murchar e ficarem macios. Posteriormente, adicione ½ colher de chá de sumo de limão.

Corte em pedaços menores e deixe que o seu bebé se alimente com as mãos.

 

Coxa de frango assada

A coxa de frango tem a pega perfeita para a auto-alimentação, e é também uma peça com maior teor de ferro do que do que o peito de frango.

O seu bebé poderá não ser capaz de morder e mastigar qualquer carne ainda, mas divertir-se-á lambuzando-se e roendo a coxinha.

Outras opções para esta fase: tiras de carne assada ou fatias de tofu fortificado com ferro.

 

 

 

Dr.ª Bárbara Nogueira

Nutricionista, Licenciada pela FCNAUP e Mestre em Inovação Alimentar e Saúde pela Universidade de Copenhaga. 

 

Trabalho desenvolvido na área da Medicina Funcional (formação pelo The Institute for Functional Medicine) como Nutricionista e dando o apoio necessário a outros profissionais (Médicos, Nutricionistas, Enfermeiros, Farmacêuticos...).

 

Nos últimos anos, a Bárbara tem participado de Conferências e Reuniões Científicas para abordar o tema de Nutrigenética e Medicina Funcional, sendo também formadora de cursos de genética focados na abordagem clínica ao emparelhamento de Medicina Funcional e Genética.

 

Atualmente, e a trabalhar para o grupo Dinamarquês Nordic Group em Portugal, continua a focar a sua prática clínica na otimização de saúde (saúde intestinal, longevidade e gestão do peso corporal) mas também na alimentação Materno-Infantil período este de extrema importância para a aquisição e estabelecimento de saúde em anos de vida futuros. 

 

Hoje grávida de 40 semanas da Pulguinha Frederico, espera poder ajudar Mamãs, futuras Mamãs e suas Pulguinhas no que diz respeito à saúde e alimentação. 

 

Contactos: bnoguei@nordicgroup.eu | +351 912 643 083 | +351 224 094 612

http://nordiclabs.com/default.aspx

 

 

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