Covid-19: Bebés e crianças devem usar máscaras?

Covid-19: Bebés e crianças devem usar máscaras?

Em tempos de pandemia todos conhecemos as regras de segurança para adultos, desde manter a distância física, ao uso da máscara social, até à lavagem frequente das mãos. Mas para crianças as regras são outras e por isso pedimos à Enfermeira Carmen Garcia, autora de “A Mãe Imperfeita”, para nos ajudar a perceber o que muda quando falamos de proteger bebés e crianças do Covid-19.



 

A partir de que idade é recomendado o uso de máscara?

 
É mais fácil responder a esta pergunta se ela for colocada ao contrário, ou seja: até que idade é que as crianças não devem usar máscara.

A verdade é que, neste caso, a resposta é simples, tendo o CDC (Centro de Controlo e Prevenção de Doenças dos EUA), inclusivamente, emitido uma “red flag” (um alerta) em relação a este ponto, que nos diz que crianças com menos de dois anos não devem, de todo, usar máscara.

Depois dessa idade, e quanto ao quando usar, depende um bocadinho da fonte de informação que utilizamos. A nossa DGS, por exemplo, só torna obrigatório o uso de máscara a partir dos 10 anos, mas outras instituições fazem-no em idades mais precoces. Uma coisa é certa, se a criança tolerar mal a máscara e estiver constantemente a manipulá-la, então é preferível não usar uma vez que, neste caso, o risco ultrapassa o possível benefício.
 
 

Por que é que não devemos colocar máscara a bebés e crianças até aos dois anos?
 

Porque as vias aéreas destas crianças são pequenas e a máscara, para elas, representa um risco real de asfixia. Além disso, tapar-lhes uma parte importante da cara pode significar que não temos percepção se existirem, por exemplo, sinais de dificuldade respiratória. Tenhamos em mente que crianças desta idade ainda não se sabem queixar de uma forma específica, não nos sabem dizer por exemplo que estão com “falta de ar”.
 


 


A proteção destas crianças com viseira pode ser uma solução?

 
Não. Há tempos escrevi sobre isto na página e foi todo um drama, mas a verdade é que não existe sequer evidência que comprove que a viseira é uma protecção eficaz contra a COVID-19. Além disso, e aqui volto a citar o CDC, em bebés a utilização de viseira pode aumentar o risco de morte súbita e em crianças pequenas de sufocação acidental ou estrangulamento.

Mesmo em crianças mais crescidas, é importante que os pais percebam a temperatura da face dos pequenos e se a viseira utilizada não provoca alterações na visão. Vi umas há umas semanas com uns bonecos, que eram realmente muito engraçadas, mas interferem imenso com a visão das crianças, e volto a frisar que não há evidência de que sejam eficazes contra a COVID-19 ou contra outras infecções respiratórias.
 
 

Quais são as medidas mais eficazes para a proteção de bebés e crianças contra a pandemia?
 

Aquelas que já todos sabemos de cor e que deviam fazer parte da rotina de todos nós: não levar as crianças para locais com muita gente se não existir uma necessidade real de o fazer (supermercados, por exemplo), lavar frequentemente as mãos, praticar uma boa higiene respiratória (as crianças aprendem e ajustam-se muito rapidamente) e manter o distanciamento social.


 


 

Vamos tentar esclarecer qualquer dúvida que tenha em relação às medidas de segurança recomendadas para bebés e crianças, deixe as suas dúvidas em comentário a esta entrevista.

 






Carmen, trinta e três anos, enfermeira numa Unidade de Cuidados Intensivos e mãe de dois rapazes com vinte meses de diferença, ambos com nomes profundamente originais: Pedro e João. O Pedro, agora com três anos, tem ainda a particularidade de ser surdo profundo com implante coclear desde Março de 2019.
Acontece que, um dia, depois de olhar para o espelho e perceber que o cabelo já não sabia o que era um corte e que o buço precisava de se reencontrar com a cera, inspirou profundamente o cheiro a leite azedo da própria camisola e decidiu dar uma espécie de grito do Ipiranga das mães: criou uma página de Facebook onde assumiu publicamente a sua imperfeição e, potenciada pela privação de sono, foi escrevendo sobre a maternidade real.
E é isso que tem feito ao longo dos dois últimos anos nas redes sociais: mostrar que as mães reais não são, nem têm que ser, perfeitas. Tal como os próprios filhos. Porque, ainda que nos tentem enfiar a perfeição pelos olhos adentro, a maternidade não é monocromática, não tem sempre que fazer pendant e as mães, apesar de donas de uma força inigualável, vivem quase sempre no limite do cansaço e à beira de um ataque de nervos.

Instagram: @mae.imperfeita._

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