Covid-19 e quarentena com bebés e crianças

Covid-19 e quarentena com bebés e crianças

O Covid-19 está a obrigar-nos a uma mudança de hábitos e de cuidados. Para perceber que implicações pode trazer este período de quarentena - sobretudo para quem tem a cargo Pulguinhas pequenas - falámos com a enfermeira Ângela Baptista:



O que muda com a chegada do Covid-19 e com as medidas que já foram implementadas?


São tempos difíceis, não só pela gravidade da situação - ameaça à saúde global - mas também porque, de repente, vemo-nos afastados dos nossos hábitos e rotinas. Deixamos de ter acesso a tudo o que simplesmente estava “ali” habitualmente. As nossas crianças, obviamente, também estão inseridas neste “boom” de mudanças e, se por um lado são espetaculares a adaptarem-se a situações novas (até muito melhor que os adultos), por outro lado, precisam de sentir segurança por parte do adulto. Vamos tentar garantir estabilidade. É importante que dêem amor e muito mimo, que serão muito importantes para as tranquilizar, e que tenham muita imaginação para as ocupar.



O vírus tem um comportamento nas crianças semelhante ao que tem nos adultos?


Habitualmente, cinjo-me a divulgar somente conhecimentos e decisões de órgãos oficiais. Todavia, neste caso, considero que devemos aprender com as experiências de quem já está a viver esta situação há mais tempo e nós e isso pode ser útil. Não quero alarmar, mas sim informar. Ter comportamentos preventivos em nada nos pode prejudicar!
O verdadeiro desafio do Covid-19 é o desconhecido. Trata-se de um vírus que apareceu em Dezembro de 2019 por isso muito se está a descobrir, dia após dia ,consoante os acontecimentos. No que se relaciona com as crianças, sabe-se que são um grupo menos vulnerável havendo muito poucos casos de doença. E quanto aos sintomas apresentados? De acordo com estudos de investigadores chineses, as crianças apresentam maioritariamente:




- tosse
- congestão nasal
- rinorreia (secreções nasais),
- cefaleias (dores de cabeça)
- por vezes diarreia
- menos de metade teve febre.
- Existem ainda casos de ausência de qualquer sintomatologia. Um fato interessante nas crianças é que podem não apresentar sintomatologia grave ou desenvolver verdadeira doença, mas isso não significa que não estejam infetadas e não sejam transmissoras.




Esta foi uma tendência semelhante à observada com SARS ou MERS, duas outras doenças causadas por coronavírus. O motivo para o organismo da criança reagir de um modo diferente ao do adulto está ainda em estudo, mas já surgem algumas hipóteses. Parece que uma complicação comum da Covid-19, SARS e MERS em adultos, é a existência de resposta imune contra o coronavírus “excessivamente zelosa”, como que não se desativasse a resposta inflamatória, mobilizando as células imunológicas - citocinas - indutoras de inflamação que causam graves danos aos pulmões. Durante o surto de SARS, dois estudos descobriram que as crianças produziam níveis relativamente baixos de citocinas causadoras de inflamação. O fato dos pulmões das crianças terem sido sujeitos a menos inflamações, ou por vezes nenhumas, pode também influenciar esta resposta mais positiva.



Há cuidados especiais a ter em relação a este vírus em especial para bebés e crianças?


Uma criança está sempre dependente de um adulto, logo aqui se aumenta os riscos de contágio, como acontece com todas as outras doenças que resultam de contactos. Para além disso, existem fatores inerentes ao seu próprio desenvolvimento que os fazem ter alguns comportamentos de risco, como levar objetos à boca, babarem-se muito e espalhar a própria baba, colocar as mãos na boca. Em relação a estes comportamentos, que não são evitáveis, há que ter cuidado redobrado com a limpeza dos objetos que colocam na boca e com a partilha dos mesmos, e claro limitar o contato social.



Os restantes cuidados devem ser assegurados por todos os adultos que possam ficar com crianças a seu cargo. São recomendações já preconizados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e outras resultantes de revisões de artigos publicados com base na experiência de outros países:




- Tapar o nariz e a boca quando espirrar ou tossir, com um lenço de papel ou com o antebraço, nunca com as mãos, e deitar sempre o lenço de papel no lixo;

- Lavar as mãos frequentemente, sempre que se assoar, espirrar, tossir ou após contacto direto com pessoas doentes com técnica adequada e durante 20 segundos (o tempo que demora a cantar os “Parabéns”) com água e sabão ou com solução à base de álcool a 70%

- Evitar tocar na cara com as mãos

- Isolamento social, limitando as saídas ao estritamente necessário

- Evitar partilhar objetos pessoais ou comida em que tenham tocado.
- Promover a circulação de ar nas divisões em casa

- Realizar uma desinfeção dos espaços com lixívia (limpar bem com água de seguida)

- Deixar roupa ou calçado utilizado no exterior, fora de casa ou dos espaços de convívio (no WC por exemplo)




O isolamento social nas crianças também deve ser assegurado?

Como percebemos, as crianças podem ser transmissores ativos e “silenciosos” assim sendo o isolamento social impera. Por outro, lado devemos ter especial atenção em evitar o seu contato com pessoas idosas ou de risco – atenção avós (com patologias respiratórias, cardíacas de base, ou qualquer doença crónica). Se atentarmos à nossa vizinha Itália, este foi um dos grandes impulsionadores da doença. Existem ainda alguns estudos, poucos ainda, que apontam para presença do vírus nas fezes excretadas pelos bebés. Assim sendo é importante reforçar a lavagem das mãos após a muda da fralda e deitar fora esta fralda num lixo exterior se possível.



Existe algum truque para promover a higiene das mãos nas crianças e bebes?


No caso dos bebés existem cuidados acrescidos (mencionados acima) e deverá haver uma lavagem das mãos frequente pois para bebés e crianças, as mãos são o seu objeto explorador do mundo. Todavia, mantendo-se em casa e estando num ambiente “limpo” os riscos diminuem. No caso das crianças mais crescidas a lavagem das mãos frequente deveria ser um cuidado de rotina já instalado. Tenho a experiência de que a aprendizagem pelas crianças logo pelo 2 anos, sim 2 anos é possível.



Como ensinar bebés e crianças a lavar as mãos?


É importante explicar cada gesto e passo da lavagem das mãos. Estar com eles na casa de banho e fazer cada gesto segurando nas suas mãos (para crianças dos 2/3anos) e posteriormente deixá-los fazer sozinhos. 

Existe uma música que costumo fazer acompanhar deste ensino que é a música dos Caricas:


A criança compreende melhor a importância de lavar as mãos se visualizar como estas ficam contaminadas mesmo sem parecerem estar visivelmente sujas. Poder “ver” é importante. Dizer-lhes que existem “bichinhos muito pequeninos” que nós não conseguimos ver, mas que estão lá e mostrar imagens de vírus em forma de cartoon, por exemplo:

source: dreamstime


Fazer experiências com a criança para perceber como o contágio é fácil:

1. Sujar as mãos da criança com farinha ou terra e fazê-la mexer em vários sítios. O que acontece? Espalha-se o que está na mão por todo o lado e o mesmo acontece com o vírus, mas nós não vemos.




2. Colocar um prato com água e umas ervas por exemplo orégãos. Outro prato com água e sabão de limpeza de mãos. O que acontece ao prato que tem as ervas quando colocamos um dedo embebido na água com sabão de limpeza? 




3. Usar três pequenas fatias de pão e três sacos. A primeira foi retirada da embalagem, usando luvas, a segunda com as mãos bem limpas e a terceira passou pelas mãos da criança e pais quando ainda não lavaram as mãos. Deixar nos sacos alguns dias (10/15 dias). Através dos dias que se passaram, a importância de lavar as mãos vai ficando clara. Perguntar qual a diferença que observam entre os pães. 


Nesta entrevista exemplifico o modo como podem explicar a lavagem das mãos às crianças e também farei uma publicação em breve.




O que devem os pais fazer caso tenham suspeita ou verifiquem que os seus Pulguinhas apresentam sintomas?


Muito importante - não devem correr - para o Centro de Saúde ou Hospitais. Devem ligar o 808242424 e aguardar orientações. É importante perceber que dependendo da história clínica - gravidade dos sintomas, da idade da criança, dos antecedentes de saúde - pode resultar um tratamento em domicílio ou necessidade de internamento. Deve ainda limitar ainda mais o contato social desta criança se possível a um cuidador único.



Acompanhe a Enfermeira Ângela Baptista:


No Instagram enfangelabaptista :

 e facebook Enfª Ângela Baptista



Mais informações:


Esquema lavagem das mãos:




Respostas a perguntas frequenetes sobre o Covid-19:


https://www.who.int/news-room/q-a-detail/q-a-coronaviruses
https://covid19.min-saude.pt/

Aproveite o tempo realizando actividades lúdicas e divertidas com a Pulguinha. Veja mais AQUI

Deixe o seu comentário

Todos os campos são obrigatórios

Nome:
E-mail: (Não público)
Comentário:
Type Code

Categorias do Blog

Artigos populares

Artigos recentes

Procurar no Blog

Arquivo do Blog