Guia das vacinas do bebé - Todas “as picas” dos primeiros anos - Dentro e fora do Programa Nacional de Vacinação

Guia das vacinas do bebé - Todas “as picas” dos primeiros anos - Dentro e fora do Programa Nacional de Vacinação


Quando a Pulguinha nasce chega com um Boletim de Vacinas pronto a estrear, e desde o primeiro momento na maternidade há uma lista que parece interminável de vacinas que devem ser dadas. Para termos o plano completo de todas elas, sejam incluídas no Programa Nacional de Vacinação ou fora dele, falámos com a Enfermeira Especialista em Saúde Infantil e Pediatria, Enfermeira Filipa Azevedo, da Rede Amamenta.

 

 

Quais são as primeiras vacinas ainda na maternidade e para que servem?

 

À nascença, e ainda na maternidade, é recomendado administrar ao recém-nascido a primeira dose contra a Hepatite B (VHB). Quando tal não ocorrer, deve ser administrada o mais brevemente possível.

 

 

Que vacinas pertencem ao plano de vacinação, quem as administra e para que servem?

 

Uma vacina é uma preparação de antigénios (partículas estranhas ao organismo), que administrada a um indivíduo provoca uma resposta imunitária protetora específica de um ou mais agentes infeciosos.

O Programa Nacional de Vacinação (PNV) aplica-se gratuitamente e contempla 11 vacinas para todas as pessoas menores de 18 anos: contra hepatite B, difteria, tétano, tosse convulsa, poliomielite, Haemophilus influenzae do serotipo b, Streptococcus pneumoniae (13 serotipos), doença invasiva por Neisseria meningitidis do grupo C, sarampo, parotidite epidémica e rubéola. Às raparigas, recomenda ainda a vacina contra infeções por vírus do Papiloma humano.

Todas as crianças devem ser vacinadas pois, para se conseguir controlar uma doença, é necessária uma grande proporção de pessoas vacinadas. A eliminação do sarampo, por exemplo, requer que pelo menos 95% das pessoas estejam vacinadas. Assim, cada pessoa não vacinada corre o risco de adoecer e aumenta o risco de transmitir a doença na comunidade.

São administradas por enfermeiros, habitualmente na respectiva Unidade de Saúde (Centro de Saúde).

 

 


 

As vacinas fora do plano são pedidas por quem, quem as administra e para que servem?

 

As vacinas que integram o PNV são as vacinas consideradas de primeira linha, isto é, comprovadamente eficazes e seguras e de cuja aplicação se obtêm os maiores ganhos em saúde, tornando este Programa num óptimo exemplo de sucesso.

No entanto, há ainda vacinas extra-programa que podem ser administradas em determinadas situações. As mais frequentes são a vacina contra o Meningococo do tipo B (Bexero®) e a vacina contra o Rotavírus (RotaTeq®; Rotarix®).

A decisão de as realizar deve ser discutida com o médico assistente. Enquanto que as vacinas do PNV se consideram já prescritas (prescrição universal), as fora do plano necessitam prescrição médica. Elas são posteriormente adquiridas pelos pais nas farmácias e administradas pelo Enfermeiro no Centro de Saúde.

Também existem vacinas extra-programa que são aconselhadas em caso de viagens para alguns destinos longínquos, dentro ou fora da Europa. Nestes casos, é necessário um aconselhamento médico pré-viagem / consulta de saúde do viajante, que deve ser efetuada com alguma antecedência (4 a 6 semanas antes da partida).

 

 

Há uma ideia dos valores que podem custar as vacinas fora do plano de vacinação?

 

Cada dose de Bexero® custa cerca de 95€, podendo ser necessárias quatro doses (dependendo da idade de início/prescrição). A RotaTeq® ronda os 51€ e estão recomendadas três doses. A Rotarix® custa cerca de 59€ e estão recomendadas duas doses.

 

 

Que cuidados devem ter os pais antes da vacina?

 

Em termos burocráticos, quando alguém se dirige a uma Unidade de Saúde para a administração de vacinas, deve levar o seu Boletim de Vacinas. Caso seja para administrar uma vacina extra-programa , também é necessário levar a prescrição médica.

Relativamente ao alívio do desconforto associado a este procedimento, e dependendo da idade da criança, existem alguns cuidados que os pais podem ter antes da vacina.

Nas crianças mais crescidas (por exemplo nas vacinas dos 5 ou dos 10 anos) os pais podem utilizar estratégias como a preparação, a distração e o reforço positivo:

- Explicarem antecipadamente o que ela vai fazer e para que serve a vacina, com linguagem simples e adequada;

- Serem honestos (não mentirem);

- Evitarem expressões do tipo “picada de abelha”, “agulha” e substituírem por exemplo por “remédio por baixo da pele”;

- Incentivarem a criança a levar um objeto familiar;

- No momento da vacinação, ficarem junto da criança, encorajando, consolando, distraindo e animando;

- No final, elogiarem o filho por tudo o que conseguiu, mesmo se chorar.

Nas crianças mais novas as estratégias mais eficazes são a amamentação, o colo e a sucção não nutritiva.

 

 

A amamentação é uma medida não farmacológica bastante eficaz no alívio da dor associada à vacinação. A amamentação combina a sucção e o contacto materno. Se a mãe assim o desejar, pode/deve amamentar um pouco antes, durante e manter até um pouco depois do momento da vacinação.

Nas situações em que o bebé/criança não é amamentada ou a mãe não se sinta confortável em amamentar enquanto se administram as vacinas, o colinho da mãe ou do pai pode ser uma estratégia muito tranquilizadora.

A sucção não nutritiva também é utilizada com alguma eficácia. Neste caso, a chupeta só deve ser utilizada caso o bebé já a use habitualmente.

Não está aconselhado fazer Paracetamol por rotina antes da realização das vacinas. No entanto, quanto à Bexero®, está descrito que de forma a minimizar os seus efeitos secundários mais frequentes (como a febre e dor local) este pode ser administrado, antes ou logo após a vacinação.

 

 

 

Que cuidados devem ter os pais depois da Pulguinha levar uma vacina?

 

Em raríssimos casos podem verificar-se reações secundárias sérias, mas os serviços de vacinação estão treinados para as controlar. De qualquer modo, como prevenção, é sempre aconselhada a permanência no serviço de vacinação por 30 minutos a seguir à administração de qualquer vacina.

Em geral, os efeitos causados pelas vacinas são ligeiros e desaparecem sem ser necessário tratamento, como dor ou vermelhidão no local da injeção ou aumento da temperatura ou dor de cabeça. Se o desconforto persistir, pode fazer-se uma ligeira massagem local ou aplicar-se um pouco de gelo, sem fazer pressão. Também se pode administrar Paracetamol em SOS e de acordo com as orientações dos profissionais de saúde.

Nos primeiros dias após a vacinação pode ocorrer agitação, irritabilidade, sonolência e falta de apetite. Existem bebés amamentados que ficam inquietos a mamar ou que passam a mamar menos (Se estes comportamentos persistirem deve-se procurar a opinião de um profissional de saúde ou procurar uma CAM - Conselheira em Aleitamento Materno).

Depois de levar uma vacina a Pulguinha precisa de muito miminho!

 

 

Consulte AQUI o esquema vacinal recomendado.

 

 

 

 

Referências:

Azevedo, F. (2013). Intervenção do Enfermeiro na Prevenção da Dor da Criança Sujeita à Vacinação. Lisboa: Escola Superior de Enfermagem de Lisboa.

Batalha, L. (2010). Dor em Pediatria: Compreender para mudar. Lisboa: Lidel.

DGS. (2012). Orientações Técnicas sobre o controlo da dor em procedimentos invasivos nas crianças (1 mês a 18 anos). Obtido de Direção-Geral da Saúde: https://www.dgs.pt/directrizes-da-dgs/orientacoes-e-circulares-informativas/orientacao-n-0222012-de-18122012.aspx

DGS. (2012). Orientações Técnicas sobre o Controlo da Dor nos Recém-Nascidos (0 aos 28 dias). Lisboa: Direção-Geral da Saúde.

DGS. (2016). Programa Nacional de Vacinação 2017. Lisboa: Direção-Geral da Saúde.

DGS. (2018). Programas de Saúde - Vacinação. Obtido de Direção-Geral da Saúde: https://www.dgs.pt/pns-e-programas/programas-de-saude/vacinacao.aspx

Harrison, D. (2018). Breastfeeding for Procedural Pain in Infants Beyond The Neonatal Period (Review). Cochrane Database.

SPP. (2018). Recomendações sobre Vacinas Extra Programa Nacional de Vacinação. Obtido de Sociedade Portuguesa de Pediatria: http://www.spp.pt/UserFiles/file/Comissao_de_Vacinas/Vacinas%20extra-PNV%20-%20RecomendaCOes%20SIP-SPP%202018.pdf

 

 

 

Filipa Santos Azevedo

Enfermeira Especialista em Saúde Infantil e Pediatria - Centro de Saúde, Leiria. Responsável pela Amamenta Leiria.

 

Percurso Profissional:

Enfermeira desde 2005. Em 2009 torna-se Conselheira de Aleitamento Materno (CAM) e em 2013 termina o Curso de Mestrado e Pós-Especialização em Saúde Infantil e Pediatria. Tem experiência a nível hospitalar e em cuidados de saúde primários na região de Lisboa e, actualmente, em Leiria.

 

Contactos:

http://leiria.amamenta.net/

https://www.facebook.com/amamenta.leiria/

http://leiria.amamenta.net/filipa-azevedo/

2Comentários

  • Avatar
    Odete Lemos e Sousa
    Out 13, 2018

    Muitos parabéns por informação tão importante e rigorosa, da maior utilidade para os pais. O suporte para divulgar o conhecimento em saúde, alargando a um público mais vasto, é uma excelente ideia e com impacto na literária em saúde. Boa sorte!

  • Avatar
    Pulguinhas
    Out 19, 2018

    Muito obrigada, Odete. Ficamos felizes por receber um elogio e reconhecimento tão simpático. Obrigada por partilhar.

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