Ingredientes seguros, alimentos que causam alergias e 4 receitas para bebé

Ingredientes seguros, alimentos que causam alergias e 4 receitas para bebé


Quando a Pulguinha começa a introduzir novos alimentos na dieta há um mundo de paladares por descobrir. Alguns ingredientes são tradicionalmente mais seguros, outros devem ser apresentados quando o bebé já for mais crescido. Falámos com a nutricionista Bárbara Nogueira para perceber qual o melhor plano, que alimentos introduzir primeiro e quais os seus benefícios.

 

Aproveitámos para conseguir ainda 4 receitas deliciosas que a sua Pulguinha vai com certeza adorar.

 

As primeiras sopas (papas de legumes) costumam levar como base cenoura, batata e cebola. Por quê este conjunto de vegetais?

 

Iniciamos a alimentação complementar por papa de tubérculo processado com um legume, este início visa suprir as necessidades do bebé nessa altura (vitaminas, minerais, antioxidantes e fibras).

 

Para além disso, são alimentos que contribuem para microbioma saudável, apresentam baixo potencial alergénico, apresentam textura macia e sabor adocicado.

 

Assim, escolhemos 1+1, por exemplo:

Tubérculos: inhame, mandioca, batata, batata-doce, cenoura, beterraba.

Legumes: cebola, alho-francês, curgete, abóbora, chuchu.

 

Não adicionamos sal, apenas a partir dos 11-12 meses.

 

 

 

 

Que ingredientes sugere para introdução? E por quê a escolha?

 

Após a 1ª semana, poderá passar para uma papa de 3 elementos:

 

1 tubérculo, 1 legume e 1 cereal. Na 3ª semana passamos a 1 tubérculo, 1-2 legumes e 1 cereal.

 

A partir da 4ª semana adicionamos verduras, e passamos a 4 ingredientes.

O cereal a incluir deverá ser arroz, quinoa ou millet.

 

O mais importante é variar (respeitando os três dias), que sejam cozidos, e que habitue a sua Pulguinha a todas as hortaliças e tubérculos, mesmo aos vegetais de sabor amargo.

 

Os estudos mostram-nos que uma alimentação variada no 1º ano de vida previne o aparecimento de desordens alérgicas na infância.

 

A partir dos 8-9 meses, pode adicionar temperos naturais – as ervas e especiarias irão treinar as papilas gustativas da Pulguinha para desfrutar de sabores saudáveis e estabelecerá as bases para hábitos alimentares saudáveis. 


 

Sempre que possível opte por vegetais biológicos. Note que para alguns vegetais deverá ser regra, outros são mais facultativos. No caso de vegetais de maior potencial tóxico, como espinafres, batatas, tomate, aipo, pimentos, deverá optar por biológicos.

 

 

 

 

Os pediatras aconselham a que se prepare a sopa para três dias, de forma a despistar possíveis reações alérgicas. Como se podem manifestar as alergias do bebé aos alimentos?

 

As alergias alimentares não devem ser desvalorizadas, nestas situações há envolvimento do sistema imunitário, podendo aparecer em qualquer idade, e as reações podem ser completamente diferentes. É importante saberem que não acontecem apenas pela ingestão de um alimento, também a inalação e o contacto com a pele podem despoletar a alergia. Os sintomas são comichão, vermelhidão, dificuldades em respirar, distúrbios gastrointestinais, perda de consciência ou diminuição da pressão arterial.

 

Assim, é diferente de intolerância alimentar, em que os sintomas são principalmente gastrointestinais e cólicas.

 

Quanto ao consumo, deverá ser introduzido em 3 dias da semana para avaliar eventuais reações tardias.

 

Em caso de emergências saiba quem contactar. Veja aqui a lista de contactos de emergência.

 

 

 

 

Quais os alimentos com maior probabilidade de causar reações alérgicas e quando será indicado apresenta-los ao bebé?

 

Atualmente, parece-nos que atrasar a introdução de alimentos alergénicos além dos 4 meses de idade não reduz o risco de alergias – nem mesmo em bebés com história familiar.

Assim, o primeiro ponto a ser avaliado é a história familiar.

Em bebés de baixo risco para alergias, respeitamos as práticas culturais e hábitos de família para o momento da introdução da alimentação complementar, sem descurar indicações base.


Quando se verificam potenciais situações de risco, a exposição alimentar deve ser planeada por um profissional devidamente capacitado e treinado, com conseguinte avaliação da exposição.

De um modo geral, os alimentos com os quais devemos ter maior atenção (considerados alergénicos) para introdução são: leite de vaca, amendoim, ovo, peixe branco, glúten.

 

 

Leite de vaca

 

Pelo menos após os 12 meses, pois tem sido associado a dificuldades digestivas e até à obesidade. Dos 12 aos 36 meses, são suficientes 300 a 500 mililitros de leite e derivados, ou seja, incluindo iogurtes e queijo.

 

As bebidas vegetais (especialmente de coco) são uma opção que pode considerar, mas recorde-se não substituem nem o leite materno nem o de vaca pois apresentam características distintas.

 

Quando iniciar a introdução opte pelo copinho, leite UHT meio-gordo ou gordo (nunca desnatado), e nunca açucarado nem achocolatado. Poderá considerar a sua inclusão em creme de frutas, batidos de vegetais, bolos nutritivos e pão. Os primeiros produtos lácteos deverão ser os fermentados e menos alergénicos: búfala e cabra.

 

Amendoim

 

Acredita-se que a partir dos 5 meses até aos 11 meses o risco de alergia ao amendoim é reduzido.

 

 

Ovo

 

A introdução deverá ser feita a partir dos 6 meses.

 

Atente: preferencialmente ovo assado. Apesar de não haver relatos para ovos cozidos ou mexidos, por serem formas mais concentradas, recomenda-se que em primeiro lugar apresente o ovo em pequenas quantidades, tipo panqueca.

 

Há risco de anafilaxia no 1º contacto com consumo de clara crua ou em pó.

 

 

Peixes brancos

 

A introdução de peixes brancos deverá ser feita antes de completar o 1º ano de vida, entre os 8-10 meses.

 

 

Soja

 

Deve ser introduzida aos 9 meses.

 

 

Glúten

 

Até 2014, para prevenir o aparecimento de Doença Celíaca defendia-se a administração de pequenas quantidades durante a “janela de oportunidade”, entre os 4-6 meses, preferencialmente na presença do leite materno – visto como fator protetor. Atualmente, sabe-se que tal introdução conjunta não interfere no risco do de desenvolvimento da doença. Então o que influencia?

- Genótipo HLA (portadores: 30-40% da população geral na Europa;
75-80% de filhos de famílias que apresentam pelo menos 1 parente de 1º grau com a doença)

- Cesariana

- Infeções pré-natais e na infância

- Uso de antibióticos e outros

Na verdade, tudo que altere o microbioma e a permeabilidade intestinal.

A introdução deverá então ser feita após os 12 meses.

 

 

 

 

 

Que receitas alternativas e saborosas nos sugere para a ementa das primeiras refeições do bebé?

 

A partir da 2ª semana de alimentação complementar, aconselho a que os alimentos sejam apresentados cozidos (inicialmente com pouca água e posteriormente a vapor) e amassados com garfo, de forma individual.

 

Assim, a sua Pulguinha aceitará e desfrutará de cada alimento naturalmente, e desenvolverá um paladar benéfico para alimentação saudável de futuro.

Para introdução da carne poderá utilizar processador (exemplo carne cozida com água de cocção dos vegetais). A introdução destes alimentos de forma mascarada foi associada à redução do consumo de importantes grupos alimentares mais tarde.

 

Experimente este novo método, e verá como o seu bebé aceitará melhor todos os alimentos. Ao apresentar a refeição amassada, sem peneirar ou liquidificar, permitirá identificação de sabor, cor e cheiro de cada alimento.

Se sentir mais confortável, alterne entre papas e este método.

 

Os estudos mostram-nos que os bebes precisam de cerca de 10 exposições ao alimento para o aceitarem, por isso ainda que o seu bebe não coma, não deixe de colocar no prato.

 

 

 

PAPA PRINCIPAL


 

INGREDIENTES


2 batatas doce médias

1 fatia de abóbora

½ chuchu

1 folha de couve

1 cebola

MODO DE PREPARAÇÃO

Se possível, deixe a batata doce de molho durante 6 a 8 horas.

Coloque os ingredientes: batata doce em rodelas, abóbora em cubos, cebola cortada em 4, ½ chuchu, 1 folha de couve, em 600ml de água ou água que veja que é suficiente para cozedura.

Após estarem bem cozidos, amasse muito bem os ingredientes a serem apresentados: batata doce, abóbora, chuchu e folha de couve.

 

 

 

CANJA DE GALINHA COM QUINOA (7 meses)

 

INGREDIENTES


½ chávena de quinoa

1 peito de frango

1/3 de alho francês

1 ramo de salsinha

1 cebola inteira

½ cenoura ralada

4 rodelas de inhame em cubinhos pequenos

MODO DE PREPARAÇÃO

Cozinhe com bastante água a quinoa e o frango, com talos de alho francês, salsinha e 1 cebola inteira.

Quando estes estiverem quase prontos, retire os talos e a cebola, e acrescente o inhame e a cenoura, deixe cozinhar sem amolecer muito. Ao desligar o fogo regue com azeite.

 

 

PAPA CREME DE ERVILHA (9 meses)

 

INGREDIENTES

1 chávena de chá de ervilha

1 cebola

1 coxa de carne

1/3 cenoura

2c. de sopa de curgete

MODO DE PREPARAÇÃO

Se usar ervilha seca, deixe de molho na água de noite para o dia.

Cozinhe a ervilha com pedaços da coxa de carne, cenoura, curgete e cebola.

Bata, exceto a carne, no liquidificador, retire e acrescente a carne bem picada e amassada. Leve novamente ao fogo e se necessário acrescente mais água para manter a consistência cremosa.

 

 

 

BOLO DE MAÇÃ COM DOCE 


 

INGREDIENTES

4 maçãs sem casca

2 chávena de aveia integral em flocos

3 ovos

2 colheres de uvas passa

1 colher de sopa de fermento

canela a gosto

Doce de maçã (marca St Dalfour ou outro sem adição de açúcares)

MODO DE PREPARAÇÃO

Bata a maçã e os ovos no liquidificador até obter um creme.

Depois, passe para uma taça grande e incorpore todos os outros ingredientes - exceto a geleia - misturando bem com uma colher, sendo que o fermento será para juntar em último lugar.

Utilize uma forma com um furo no meio de silicone, que não precisa untar., e coloque aí a massa.

Por fim, leve ao forno médio para assar até dourar.

Desenforme quando esfriar.

Cubra com o doce e sirva.

 


 

 

 

 

Algumas notas:

 

A alimentação complementar é um período de extrema importância na vida dos bebês, pois é quando iniciam o desenvolvimento do paladar.

 

Para além disso, a correta introdução contribui para o desenvolvimento da microbiota intestinal saudável, fortalecimento do sistema imunológico, prevenção de alergias alimentares, anemias e outras deficiências nutricionais.

 

De forma geral, o aleitamento materno exclusivo até ao 6º mês cumpre as necessidades de energia, macronutrientes e micronutrientes (com exceção da vitamina D e K que deverão ser suplementadas).

 

Aconselha-se que a alimentação complementar aconteça entre as 17 e 26 semanas, pois é quando se verifica desenvolvimento neurológico e maturidade das funções renal e gastrointestinal. É importante que cada caso seja avaliado individualmente e por isso fale com o Nutricionista que vos acompanha. Este acompanhamento é importante e respetivo planeamento das refeições. A partir do 6º mês deverá considerar os nutrientes mais problemáticos Ferro, Zinco e Vitamina D.

 

 

 

 

 

 

Dr.ª Bárbara Nogueira

Nutricionista, Licenciada pela FCNAUP e Mestre em Inovação Alimentar e Saúde pela Universidade de Copenhaga. 

 

Trabalho desenvolvido na área da Medicina Funcional (formação pelo The Institute for Functional Medicine) como Nutricionista e dando o apoio necessário a outros profissionais (Médicos, Nutricionistas, Enfermeiros, Farmacêuticos...).

 

Nos últimos anos, a Bárbara tem participado de Conferências e Reuniões Científicas para abordar o tema de Nutrigenética e Medicina Funcional, sendo também formadora de cursos de genética focados na abordagem clínica ao emparelhamento de Medicina Funcional e Genética.

 

Atualmente, e a trabalhar para o grupo Dinamarquês Nordic Group em Portugal, continua a focar a sua prática clínica na otimização de saúde (saúde intestinal, longevidade e gestão do peso corporal) mas também na alimentação Materno-Infantil período este de extrema importância para a aquisição e estabelecimento de saúde em anos de vida futuros. 

 

Hoje grávida de 30 semanas da Pulguinha Frederico, espera poder ajudar Mamãs, futuras Mamãs e suas Pulguinhas no que diz respeito à saúde e alimentação. 

 

Contactos: bnoguei@nordicgroup.eu | +351 912 643 083 | +351 224 094 612

http://nordiclabs.com/default.aspx

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