Síndrome da morte súbita em bebés e recém-nascidos

Síndrome da morte súbita em bebés e recém-nascidos





Há temas dos quais fugimos e que nos causam logo uma profunda tristeza, ansiedade e medo. A síndrome de morte súbita em bebés é um deles. Mas para prevenir e resguardar no que nos é possível, a informação é fundamental. Falámos com a enfermeira Andreia Amaral, enfermeira mestre e especialista, autora do blog SOSMAMA, a exercer numa urgência pediátrica, sobre este tópico tão difícil.


O que é a síndrome da morte súbita e como pode ocorrer?

A síndrome de morte súbita é a morte repentina de um bebé, sem explicação possível após investigação e estudo por meio de autópsia. Ocorre, habitualmente durante o sono do bebé.


Há números sobre a morte súbita em Portugal?

Os únicos números de momento referem-se a dados estatísticos, sendo que em Portugal, por cada 1000 nascimentos há 0,1 a 0,2 casos conhecidos de morte súbita. Comparando com o panorama internacional que é de 2 casos de morte súbita por cada 1000 nascimentos.


Qual é a altura de maior risco e quando é que se considera que já foi ultrapassada?

A altura de maior risco é no 1º ano de vida, com maior prevalência nos primeiros 6 meses de vida do bebé, segundo estudos da Organização Mundial de Saúde.


Por que motivo(s) é que os primeiros 6 meses de vida são os de maior risco?

Não existe uma única explicação para esse facto, mas os estudos mostram que de facto é nesses primeiros meses que a morte súbita é mais prevalente. A morte súbita do lactente está constantemente a ser estudada, por não se saber ainda qual a sua causa. Existem sim fatores de risco.


O que podemos fazer para minimizar esse risco?

Prevenir, prevenir, prevenir! Manter o bebé em segurança durante o sono: deitar o bebé em decúbito dorsal (de barriga para cima), se possível dentro de um saco de dormir (apropriado para não sobreaquecer nem sufocar o bebé) e, em dias mais frios, tapar com lençol/manta até à zona das axilas, evitando que algum pedaço da roupa fique em cima da face do bebé. Privilegiar o sono individualizado do bebé, em berço destinado ao efeito (e não na cama dos pais) e sem objetos soltos no berço que possam sufocar o bebé.


Porque é que deitar o bebé de barriga para baixo é tão perigoso?

Pelo risco aumentado de asfixia, com inspiração frequente do ar expirado, quando colocados nesta posição. Além disso, o decúbito ventral (de barriga para baixo) está associado a um sono mais profundo e a uma pressão na face que dificulta a respiração, o que aumenta o risco de morte súbita.


O que dizem os especialistas sobre deitar o bebé de lado?

Nos estudos mais recentes, deitar o bebé de lado demonstra risco aumentado de morte súbita, comparativamente com dormir de barriga para cima, pelo que todos os especialistas defendem que o correto será deitar o bebé sempre de barriga para cima. Não me refiro, claro, às situações contra-indicadas desta posição, as quais são estudadas por profissional de saúde de referência, caso a caso.


Quando o bebé já rola sobre si mesmo, o que podemos fazer para tentar evitar que a meio da noite role para uma posição que devemos evitar?

Deitar o bebé na posição de barriga para cima é sempre o mais sensato. Antes dos pais irem dormir, confirmar que o bebé está na posição adequada. Mas durante a noite, nada podem fazer ou não vão, eles próprios, descansar. Se o bebé já rola já tem capacidade para, por si só, resolver a situação e colocar-se na posição mais confortável para si, o que diminui drasticamente o risco. Desde que o bebé tenha segurança no berço (pouca roupa colocada no máximo até à zona das axilas e ausência de bonecos/peluches no berço), o risco não parece aumentar.


Nesse caso é a recomendação dos especialistas que não haja bonecos ou fraldinhas para dormir no berço durante os primeiros meses?

As opiniões convergem todas para a mesma afirmação: os bebés pequenos não têm a capacidade de afastar um objeto/peluche colocado no berço e que comprometa a sua respiração, sendo um risco aumentado de sufocamento. O ideal sempre é não colocar nada no berço a não ser o bebé e o eventual lençol/manta pela zona das axilas.


Devemos alternar o lado para onde vira a cabeça do bebé durante os meses em que ainda não movimenta sozinho o pescoço?

Em termos noturnos não há essa necessidade, a não ser em patologias específicas. Durante o dia devem ser alternadas as posições corporais do bebé, o que contribui em muito para o seu conforto e também para o seu desenvolvimento.


Há sinais de alerta a ter em conta?

Há sobretudo fatores de risco, nomeadamente os filhos de pais fumadores, parto pré-termo (antes das 37 semanas de gestação), bebés de baixo peso ao nascer (inferior a 2500gr), bebés que partilhem a cama com os pais e bebés que sejam deitados em decúbito ventral.


O que podem fazer os pais a quem a tragédia bate à porta?

Infelizmente casos destes não têm retorno. O apoio psicológico é fundamental numa fase destas. Mas antes de pensarmos nisso, pensemos todos em proteger os nossos filhos, prevenindo.

Andreia, enfermeira de profissão, fez mestrado e especializou-se em enfermagem à pessoa em situação crítica, direcionando todos os seus projetos académicos para a população pediátrica, pela qual é apaixonada. Em concomitância, é formadora de cursos para profissionais e para a população em geral, em entidades certificadas. Ter sido mãe do João Maria mudou a sua vida e fê-la iniciar o projeto SOSMAMA com o intuito máximo de ajudar em conhecimento e experiência profissional todos aqueles que lidam com bebés e crianças

Fale com a Enf. Andreia Amaral seguindo a página de instagram @sosmamapt, email: mailsosmama@gmail.comwww.sosmama.pt



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