SOS Pais - Dos zero aos cinco anos saibam o que esperar, no sono, nas birras e no comportamento do bebé 

SOS Pais - Dos zero aos cinco anos saibam o que esperar, no sono, nas birras e no comportamento do bebé 




Rita Franco de Sousa entrevista a Dr.ª Clementina Almeida, psicóloga clínica na ForBabiesBrain, autora de "Socorro o meu bebé não dorme” que lança agora um novo guia essencial para pais. 


Pulguinhas: SOS Pais é o seu terceiro livro sobre parentalidade, o que é que a levou a escrevê-lo?

CA: Na verdade não é o terceiro, acho que é o sétimo (risos). No fundo eu tenho livros dedicados mais para as crianças, para os bebés, desde os livros de alto contraste, os livros sobre os medos, sobre as birras, que têm sempre uma parte para os pais também. Portanto são sempre livros com orientações em termos de parentalidade. O SOS é um livro onde se concentram respostas para os grandes desafios dos zero aos cinco anos, onde eu tento ilustrar de forma muito simples e até com algum humor, temos ilustrações muito engraçadas do Carlos Ramos ao longo do livro para também não ter este peso da parentalidade, e vamos passando em revista aquilo que é o desenvolvimento cerebral. Ou seja, como é que nós explicamos certos comportamentos que são específicos de cada idade, de cada faixa etária. 



Pulguinhas: Dos 0 aos 5 anos abrangemos várias etapas de desenvolvimento, com grandes desafios para os pais. É possível preparar os pais para tudo o que aí vem?

CA:  Isto não é um manual de parentalidade. Eu costumo dizer que o manual são os bebés, são eles mesmos a interagir connosco, eles trazem tudo é preciso é saber ler. Mas eu acho que ajuda bastante porque há muitas coisas em que nós enquanto pais, se não soubermos o que é que está por detrás, o que é que está a fazer com que a criança tenha aquele comportamento, acabamos por ter expectativas desajustadas e acabamos por ter uma relação com os filhos mais complicada, mais difícil, porque, se calhar, não estamos a perceber aquilo que está a passar-se. Imagine, por exemplo, no sono. Se eu não tiver a ideia de que efetivamente o sono, que é assim um grande desafio no primeiro ano - pelo menos - se eu não tiver ideia de que o sono vai evoluindo com tempo, vai passar por altos e baixos, que são previsíveis, que nós sabemos que vão acontecer, por que é que estão a acontecer, provavelmente vou duvidar das minhas competências enquanto mãe. Porque o bebé tão depressa está a dormir bem, como depois já passa a dormir mal e depois volta a dormir bem e eu não consigo perceber muito bem o que é que se está a passar. 

Eu sou sempre da opinião que nós enquanto pais fazemos ou tentamos fazer sempre o melhor, mas estando informados conseguimos fazer melhor ainda. Óbvio que estamos a falar de um livro que não e excessivo… na verdade quando eu escrevi o livro ele tinha o dobro das páginas com que saiu (risos). Eu tive que cortar muita coisa, porque é ambicioso fazer uma coisa dos 0 aos 5 e depois tentar explicar tudo direitinho.


Pulguinhas:  Sobre esta questão do sono, que já foi abordada no manual "Socorro, o meu bebé não dorme” - questões que também deu resposta no blog Pulguinhas (link) - é possível saber como ajudar os pais sem indicar um único estilo parental como sendo o correto, ou o único que existe?

CA: Rita, eu não sou muito a favor destas escolas de parentalidade, sou muito a favor da nossa criatividade enquanto pais, porque somos todos diferentes. Costumo dizer que é ali que está a beleza de sermos seres humanos é que de facto somos todos muito distintos. Há pais que vão ser mais divertidos, outros vão ser mais rígidos, outros vão ser mais cómicos, e faz parte do ser de cada um. Se nos obrigarmos a responder a determinados comportamentos sempre da mesma forma, a certa altura passamos a ser todos iguais e não é isso que nós queremos, ou pelo menos não isso que eu acho que define uma sociedade saudável e equilibrada. 

O que eu acho importante é o que dizia há pouco: os pais estarem informados. Porque, imaginemos, uma criança faz uma birra e, se eu souber por que é que ela está a fazer a birra, o que é que está a acontecer no cérebro dela; por que é que aquilo é um pedido de ajuda e não uma manipulação? O que é que eu devo fazer para acalmar o cérebro dela? Eu depois posso fazer da maneira com a qual eu me sentir mais confortável. Eu não tenho que ter um script de parentalidade, porque não vai funcionar, não vai ser genuíno, não vai ser real. Não estou a dizer que as escolas de parentalidade não façam sentido, até porque, na maior parte dos casos, os princípios são bons e temos coisas positivas, sempre nas escolas de parentalidade positiva, gentil, o que lhe quisermos chamar. Na verdade, acho que se houvesse se calhar um nome para caracterizar isto seria uma mais como “neuro-compatível” ou qualquer coisa assim, “cérebro- próximo”, uma coisa que de facto tivesse a ver com o saber, com o conhecimento. 

Porque hoje em dia já conseguimos, esta a nossa grande missão, e é a minha missão, quando faço videos, quando escrevo em blogs, quando escrevo livros, é no fundo transmitir todo aquele saber científico, com o qual eu tenho contacto todos os dias, porque efetivamente investigo todos os dias e estudo bastante, e participo em artigos de investigação com bebés, e é passar essa informação, que depois está nas revistas científicas, que são só acessíveis a profissionais, para quem lida com as crianças diariamente, que no fundo são os pais, já para não falar nos educadores e todas essas pessoas que também trabalham com crianças. 

A ideia é muito essa, é traduzir os estudos do que nós vamos tendo conhecimento, daquilo que se vai descobrindo, em coisas simples que eu possa aplicar no dia a dia e que os pais possam mudar o seu comportamento, porque “ok, agora já percebi aquilo que ele está a fazer” e não estou aqui com ideias erradas acerca do comportamento dos mais pequeninos. 


Pulguinhas: Falámos aqui da questão do dormir, que é uma das preocupações dos pais e agora da gestão das birras… Quais são as grandes dúvidas, as grandes preocupações, que mais são levadas à consulta? 

CA: Tentei abordar todas essas questões quase todas no livro. Tem muito que ver com o sono, efetivamente e depois logo a seguir ao sono, talvez a introdução alimentar, que em Portugal ainda é feita muito  como se fazia antigamente e que é  “Porquê? Porque sim”. Mais uma vez a questão, não falo das questões da nutrição porque como é óbvio não é a minha área, mas falo das questões cerebrais, dos centros de controlo de apetite que se estão a desenvolver também no primeiro ano e que precisamos também de ter em consideração para prevenir doenças do  comportamento alimentar que, embora se demonstrem mais tarde, têm o seu início já nos primeiros anos de idade. Portanto, eu diria que é a introdução alimentar, eventualmente as batalhas à mesa à volta da parte alimentar, as birras, claro, sem dúvida. O nascimento de um irmão é sempre algo que traz também os pais à consulta. O desfralde, ou seja os momentos em que os bebés começam a largar as suas fraldas. Depois, mais para a frente, falamos da questão da brincadeira, da brincadeira física, da brincadeira ao ar livre, do correr riscos. Ou seja, das crianças poderem efetivamente resolver os seus próprios problemas e terem este desenvolvimento de competências, mais disponível e não tão fechado. Tocamos um bocadinho nos ecrãs, nas TVs e no quão isso é indesejável para o desenvolvimento, mas basicamente temos estas questões e vamos abordando cada uma delas em capítulos.

O que eu queria talvez destacar, é que este livro está escrito também com outra preocupação que é, para além do saber, do saber científico, que explica a maior parte dos comportamentos, há outra questão muito importante na parentalidade e que interfere diretamente na nossa relação com os nossos filhos. É a nossa própria história, a nossa própria infância, a forma como nós fomos tratados enquanto crianças, a parentalidade que os nossos pais tiveram connosco. Na maior parte dos casos, quando um comportamento de um filho nos faz tirar do sério (risos) isso tem mais a ver com a nossa própria história do que com o comportamento da criança em si. Portanto, ao longo do livro, e não é que eu esteja a fazer psicoterapia aos adultos - e eu faço psicoterapia de adultos também e nós temos a consulta de Pais Imperfeitos, que é uma consulta que fazemos muitas vezes porque os pais procuram-nos para saber se devem fazer assim, se devem fazer assado, por que é que reagem desta maneira, por que é estão sempre a gritar e não conseguem controlar os gritos, por exemplo, e ao longo do livro… Porque tem a ver com isto, ou seja, não adianta só eu ter o conhecimento acerca do comportamento a criança, e do porquê de estar a ter aquele comportamento, eu também tenho que virar-me um bocadinho para dentro e perceber "porque é que isto me tira do sério?”, “O que é que isto me faz lembrar?”, “como é que era a minha criança tratada, a minha criança interior, como é que era tratada quando era pequenina?”. E, sem querer fazer disto um livro de auto-ajuda, ao longo dos capítulos vamos sempre relacionando estas questões porque elas também são problemáticas e mais difíceis de gerir porque também têm esta bagagem cultural toda. Se formos olhar para trás, muitos de nós fomos obrigados a comer, por exemplo, e não podíamos deixar nada no prato, ou seja, há questões que já vêm connosco e que se tornam batalhas quando depois ouvimos "se calhar isso não é bom. Se calhar é melhor ser a criança a controlar aquilo que tem vontade de comer ou não” e isto vai entrar em conflito com a nossa própria vivenciáreis enquanto crianças. 


Pulguinhas: E pais que já têm uma Pulguinha em casa, que já viveram alguns destes problemas e geriram alguns destes conflitos com o primeiro filho, este Guia também é essencial para pais de segunda viagem?

CA: Eu acho que sim. Cada criança é uma criança, e se calhar, eu nas consultas que vejo bebés com irmãos mais velhos, irmãos mais novos, sabemos que eles são todos diferentes. Se calhar no primeiro não tivemos um desafio e tivemos outro, neste segundo, se calhar, o sono é fantástico mas estou com problemas no largar da fralda. Vai apanhar sempre qualquer coisa, acima de tudo vai dar este conhecimento que nos traz alguma paz interior na relação com os nossos filhos, que é: “Ah ok, já percebo por que é que isto acontece, não é por eu ser má mãe, não é por ele ser mau filho. É porque há aqui qualquer coisa que está a passar-se no cérebro dele e que eu finalmente consegui entender.” E isto tranquiliza-nos muitíssimo. E eu posso não passar com o primeiro filho, posso não ter os mesmos desafios que vou ter com o segundo, porque provavelmente eles são todos diferentes.










Pulguinhas: Não há bebés iguais, não há pais iguais. E a forma como nós somos pais da primeira vez pode também evoluir… A par do SOS Pais lançou também uma coleção de alto contraste, que é constituída por dois volumes, três livros cada um deles, pode explicar um bocadinho em que consiste esta coleção?

Os bebés quando nascem, para além de terem ainda o cérebro pouco desenvolvido, nascem com cerca de 25% do cérebro desenvolvimento e o restante vai ser desenvolvido durante os primeiros anos, o que acontece em relação à visão é um pouco semelhante. Ou seja, nós nascemos - coitadinhos - nós nascemos míopes, estrábicos (risos) e daltónicos, não vemos cores nenhumas, não é bem daltonismo mas é uma coisa parecida. Então os bebés focam à nascença a uma distância de cerca de vinte a trinta centímetros, que é a distancia a que o bebé fica, a cara do bebé da cara da mãe, no momento da amamentação, ou seja, a natureza pensou isso tudo muito bem. E o bebé vem a focar para essa distância mas depois tudo o resto, tudo o que está um pouco mais longe, torna-se só uma silhueta, é um bocadinho distorcido e algumas cores o bebé nem sequer consegue ver. Então para nós desenvolvermos em termos sensoriais, que é aquilo que importa ao desenvolvimento cerebral, é numa primeira fase ter esta estimulada sensorial, o que nós temos que fazer é expor o bebé a experiências sensoriais diversificadas.  

Em termos visuais, o ideal nos primeiros tempos, e quando eu digo nos primeiros tempos é até ao primeiro ano de vida (não é que no primeiro ano de vida eles vejam ainda mal, porque não veem, isto estamos a falar dos primeiros meses) mas   a verdade e que são livros que podem ser utilizados até mais tarde, mas no início têm um impacto enorme porque de facto o bebé consegue ver. E ao conseguir ver  este alto contraste que nós conseguimos nomear pelos desenhos, porque há desenhos mais simples e depois vamos complexificando. Há um livro só de faces, que tem as faces do irmão, do avô, do tio e podemos trabalhar a familia, mas também podemos trabalhar as emoções, nesse mesmo livro das faces aparecem as várias emoções, portanto, são livros que podem ser utilizados para além dos primeiros meses. Mas na verdade quando os usamos durante os primeiros meses estamos a estimular a visão do bebé, estamos a aumentar, segundo a segundo, a capacidade de foco e de atenção visual, que é tudo o que o cérebro precisa. 

Eu sei que não é assim muito decorativo termos muitas coisas a preto e branco no quarto do bebé, ou pelo menos não é muito comum. Mas tudo aquilo que usamos para os bebés, aqueles tons pastel, azul clarinho, rosa clarinho, bege, é uma ausência de estimulação total, porque o bebé não consegue sequer ver aquilo e distinguir a silhueta desse tipo de decorações. Os livros são só uma forma de trabalhar esta área com os bebés, claro que podemos fazer muito mais coisas com eles com alto contraste. Em Portugal ainda não existia uma coleção nossa, ou seja tudo o que eu tenho, por exemplo na clinica, e tudo o que eu utilizo com os meus bebés, e que utilizei com a minha filha, veio tudo de fora. Embora, não são livros escritos, são livros com imagens, em Portugal são os primeiros feitos por nós, portugueses e já estão disponíveis no mercado há algum tempo, desde abril (2021).








Pulguinhas: Um ótimo brinquedo para os pais usarem na interação com os bebés.      Nomeadamente nos cuidados básicos, é fácil estar a mudar uma fralda, falar com o bebé, abrir o livro e enquanto estamos a mudar a fralda estamos a interagir e a promover esta construção do cérebro…

CA: Por exemplo, o tummy time, que é algo muito, muito importante para o desenvolvimento, e que os bebés às vezes reagem um bocadinho negativamente, sobretudo se não fizermos desde o início, pode ser uma excelente forma de promover o tummy time, porque eles vão estar atentos ao livrinho enquanto estão um bocadinho de barriga para baixo e se calhar conseguimos aumentar tanto o tempo de atenção visual quanto o tempo de tummy time em que o bebé consegue estar confortavelmente, mas há muitas outras situações em que podemos usar estes livrinhos. 

Acompanhem a entrevista no nosso YouTube e subscrevam o canal para não perderem as novidades. https://bit.ly/YTSOSPais_Pulguinhas



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